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Por razões humanamente desconhecidas
depois de incessantemente e durante alguns anos apelar para o nosso longínquo
Lama tive o prazer de, casualmente, encontrar-me com um venerável membro
do budismo theravada – milagres da Internet e dos seus sistemas de comunicação
e vídeo conferência -, que me surgia baixo o nome de Dhammachotika e digo
‘baixo o nome’ porque normalmente nestes sistemas de comunicações e vídeo
conferência as pessoas usam heterónimos quer para não revelar a sua identidade
mas, na maioria dos casos, para traduzir uma intenção-acção ou linha em que
pretendem actuar.
Rapidamente nos tornámos amigos:
primeiro no Dhamma e pouco depois no Karma, isto é, numa profunda amizade:
amizade no kharma e profunda pelo dhamma. Os nossos diários e constantes
diálogos, por vários meses – quase um ano -, tornaram-se num crescendo
exposições de sabedoria theravada (pronuncia-se terravada), em que
Dhammachotika se mostrava cada vez mais como profundo conhecedor e mestre
enquanto eu, como um discípulo, observava a sorte que me tinha calhado ao fim
destes tantos anos de busca de uma ponta para poder agarrar o budismo que
teimava em se me escapar das mãos.
Estava eu um dia num desses
sistemas de comunicação da Internet, numa sala budista, quando Dhammachotika
apareceu pela primeira vez. No fim do recital e da meditação a administradora e
professora da sala perguntou-lhe de que país era e se conhecia o budismo – este
tipo de perguntas é muito comum nestes sistemas -, ao qual ele respondeu
afirmando que era um monge budista theravada nascido no Vietname mas desde há
muitos anos residente num mosteiro budista na Tailândia. A exposição rápida,
sucinta, clara e evidente – estes não usam palha -, convenceu a professora
budista canadiana de que na realidade o novo personagem tinha que ser um monge com
profundos conhecimentos da matéria.
Por volta das três da manhã a sala
fechou – sete da tarde em Vancouver, este recital com meditação é iniciado
geralmente pouco antes do pôr-do-sol, o que por aqui em Portugal soma oito
horas de diferença -, ia eu preparar-me para encerrar os computadores quando
por mensagem interna do sistema recebi um texto de Dhammachotika mostrando um
grande interesse em falar comigo em particular. Caso raro, optei pelo sistema
de vídeo-conferência afim a um dos meus e-mails e rapidamente recebi o sinal de
chamada.
Dhammachotika começou
imediatamente a falar-me sobre o seu profundo interesse no desenvolvimento da
língua inglesa até porque, muito próximo, iria ter um exame final dessa matéria
onde teria de apresentar uma exposição oralmente. O professor inglês que
leccionava no mosteiro tinha ficado tão fascinado com a vida monástica que lá
se quedou desde há anos tendo, praticamente esquecido grande parte do seu
idioma natal. Acedi rapidamente mas disse-lhe que a minha pronúncia tinha um
sotaque muito acentuado provocado pelos idiomas orientais que usava com mais
frequência do que o inglês, mas Dhammachotika mostrando desinteresse sobre o
aspecto da pronúncia prosseguiu afirmando-me que a situação não era só dele mas
do grupo de monges que encabeçava passando imediatamente ao tema do exame que
consistia no ‘porque um mosteiro (ashram) era muito mais importante do que um
centro comercial’.
À partida o tópico pode parecer
naïf mas se pensarmos profundamente nas implicâncias deste tema, levanta na
realidade sérias questões e o aprofundamento, inevitavelmente, terá por abordar
questões económicas, sociais, de controlo de qualidade, tal como sobre os
hábitos alimentares e como estes centros poder conduzir e são conducentes à
perda da natureza humana da recolha natural dos seus alimentos. Isto e muito
mais exibe que o tema de infantilidade crassa afinal é tão profundo quanto
problemático e tal acontece porque estamos a falar de monges universitários cujas
licenciaturas são reconhecidas nas grandes e médias universidades do mundo
ocidental. Porém esta prova de inglês não pretenderia ir tão profunda na
matéria se eu não tivesse levantado esta lebre; ela era apenas para
pontuar o nível de perícia dos alunos na língua em questão.
No dia a seguir Dhammachotika
entra em diálogo de novo comigo enviando-me via Internet um documento
intitulado ‘O Dhamma e a Economia’. Devorei o documento e espantei-me pela
riqueza deste nos mais pequenos detalhes: nada ficava ao abandono, tudo o que
ali aparecia e que por vezes mais parecia para encher ou para futuras
abordagens, após um delineado desenvolvimento de um aspecto era harmónica e
concisamente aplicado por demonstrações eficientes. Perante este panorama eu
mostrei-lhe o meu interesse de lhe apresentar um grande amigo inglês professor
em Liverpool: afinal quem melhor lhes podia ensinar inglês…? Quanto ao resto
ficava por minha conta até porque o meu interesse neste monástico personagem
crescia de hora para hora.
Dhammachotika acedeu e tendo eu
combinado o nosso encontro numa sala minha, na internet, lá nos encontrámos os
três sendo que o meu amigo inglês mostrou um imediato grande interesse em
contribuir em pleno para com os monges. Cá para mim tudo se mostrava sorridente,
os monges tinham o melhor professor de inglês que alguma vez sonhariam e,
quanto a mim… eu ficaria com as outras matérias também muito importantes para
eles. Mas o nosso venerável não era assim tão simplesmente influenciado. O meu
projecto era óptimo mas a sua intenção era superior, a resultante dos meus
vectores mentais não eram o somatório das intenções de Dhammachotika e que, a
pouco e pouco me foi mostrando o quanto ele tinha razão.
Fechei a minha sala de
humanísticas em Questões Sociais e, de novo, recebo um toque no sistema de
comunicações do meu e-mail. Diplomaticamente Dhammachotika exibia que a minha
intenção era óptima mas a sua meta era muito mais ampla, como ele me transmitiu
« de que serve o desenvolvimento da língua sem a humanidade e o humanitarismo
que tudo implica? » Bom, estava combinado que eu trataria de tudo; mas o
meu problema permanecia na correcção da apresentação da pronúncia inglesa o
que, ao fim e ao cabo, me fez concluir que esse não era o ponto, sendo na
realidade apenas um meio para atingir um fim o qual não é nem foi o que possais
imaginar.
O exame concluiu-se com uma óptima
pontuação, louvores e discursos honrosos sobre os rápidos resultados da
evolução no idioma como podereis observar nas fotografias tiradas pelo venerável
monge Suwath e publicadas na nossa página
URL: http://foziber.no.sapo.pt
na URL: http://www.flickr.com/photos/foziber/sets/72157600006622048 também
afim à FozIber. Este exame deu-se no colégio e Universidade budista theravada
na Tailândia International Buddhist College e nesta
página podereis observar todas as suas actividades e objectivos tal como muitos
outros aspectos que a muitos poderão interessar.
No nosso encontro seguinte – o
qual se espaçou por cerca de uma semana porque o meu venerável amigo
Dhammachotika estava a preparar-se para exames mas agora de um foro mais profundo
da sua área -, aproveitei para lhe perguntar o seu verdadeiro nome. A razão de
ser desta pergunta é muito importante se tivermos em consideração que no mundo
oriental uma pessoa pode ter vários nomes, jurídica e socialmente válidos, que
para além da sua significância intrínseca também exibem o tipo de intenção com
que surgem e, obviamente, sobre e como pretendem actuar. Rapidamente
Dhammachotika acedeu expondo-me desta forma « O meu nome em Pali é hoje
Venerável[1] Sotha Dhammanando sendo este o meu nome formal. Sotha é o meu nome próprio,
Dhammanando é o meu nome mais importante, pelo menos para mim e também em Pali
porque me foi concedido pela minha vocação monástica, tendo-me sido concedido
pelo meu preceptor aquando da minha ordenação em Upsoth local aonde se encontra
o edifício mais importante aonde os monges executam os rituais mais importantes
dentro de um complexo que contém o mosteiro, numa vila da minha província de
nascimento. Mas tu, em especial, podes-me tratar por Dhammachotika por ter sido
o nome com que me dei a conhecer perante ti muito antes de saberes que eu sou
Sahabrahmacarika Bhikkhu. Este último é o que eu uso quando vou pregar e ensinar
o Dhamma aos budistas devotos. Claro que Dhammachotika Thach é que denota a
intenção de ensinar os princípios do Dhamma enquanto que o outro afirma que eu
estou apto e designado para responder a questões postas por estrangeiros e
principalmente do mundo ocidental. Por esta minha graduação e anos de vida
monástica foi acrescentado o termo de venerável o qual denota as minhas
profundas obrigações mais do que, como acontece no mundo ocidental, um título
honorífico. Por aqui não possuímos esses conceitos honrosos nem as exigências
da vida monástica o aceitariam quanto mais o criariam…»
Nascido no Vietname na província
de Tra Vinh no local do templo Ta Rom – antes esta província pertencia ao
Camboja e tinha como nome Preah Trapeang –, o meu venerável amigo Dhammachotika
foi ordenado, como ele acima afirmou, em Upsoth (significando em português – e
vertido do Pali -, Ala das Ordenações). Actualmente com quase 33 anos de idade
Dhammachotika apresenta uma vida profundamente recheada de longos estudos, de
variegadas práticas, oração, recitação, jejum mas e acima de tudo, de
meditação. Ainda se encontrava a estudar para os últimos exames desta fase – os
quais entretanto já culminou com grande êxito -, já se demonstrava agora estar
a planear levar a cabo estudos avançados sobre Arte. No seu modo de ensinar
como no expressar das suas ideias, é tão claro quão sucinto tornando facílima a
aprendizagem mas e por experiência própria, não posso deixar de realçar a sua
profunda paciência a qual tentarei exibir neste texto.


Neste documento apresentarei
extractos dos nossos diálogos os quais estabelecemos por escrito
propositadamente a fim de eu poder exibir aspectos que considerei em suma
importantes, assentado nas minhas dúvidas em relação a certos aspectos budistas
como aos seus ensinamentos durante as nossas conversas, as minhas questões para
apreender a matéria e as suas respostas. Tendo aprofundado a filosofia budista
nos meus estudos seculares o budismo prático passou-me sempre ao lado tal como
a problemática das diversas formas de budismo. Por outro lado, desconheço totalmente
a língua Pali; o mesmo já não digo do Sânscrito ou do Mandarim, razão porque
também o Tibetano nunca me foi necessário. Claro que sempre tive conhecimento
das origens do Pali tal como da sua antiguidade o que me poderia ter atraído o
interesse de aprender mas e como costumo dizer «o dia só tem vinte e quatro
horas…»; quanto ao Tibetano… bom, é um idioma que se vem construindo apenas
desde a época medieval e que, por isto, nunca me atraiu até porque sei que
assenta na gramática sânscrita, usando também os mesmos sinais diacríticos e, o
que a este não pertence é derivado do Chinês Mandarim e mesmo do simplificado
nos dias de hoje, o que é o mesmo.
A determinada altura dos nossos
diálogos, criarmos uma página sobre o Budismo Theravada tornou-se um crescendo
nas nossas mentes mas, depois das várias páginas na internet que o
Dhammachotika me deu a conhecer e de tantas outras que descobri, comuniquei-lhe
a já existência de inúmeras e todas elas muito boas ao que ele me respondeu com
toda a sua serenidade «em matéria de budismo tudo o que se possa escrever
com perfeição nunca é demais.»
O Budismo Theravada nascido na
Índia no seio do povo Khmer, do ponto de vista idiomático, tem como língua
indiscutível o Pali e geograficamente expande-se por todo o Sudeste asiático
sendo, portanto, o Budismo do Sri Lanka, do Camboja, de Burma, do Laos, da
Tailândia, do Vietname, etc, representando hoje cerca de cem milhões de
praticantes em que o Pali é o idioma dominante acrescendo o facto do seu
recente e rápido avanço no mundo ocidental no qual também é incentivada a
aprendizagem desta língua ou como dizem os veneráveis «os budistas theravada
devem desenvolver os seus conhecimentos dentro da língua em que Buda nos
transmitiu os seus ensinamentos e nos instruiu.»
Na altura em que começaram os
nossos diálogos, quer falados quer escritos, sobre o tema que vos apresento,
com toda a simplicidade afirmou-me «esta é a seita em que eu nasci e aonde
eu decidi ser monge até ao fim desta minha vida». A sua clareza e evidência
estontearam-me por uns momentos após os quais rapidamente reconheci que o termo
‘seita’ não só não tinha a conotação negativa ocidental como é um termo trivial
afim às regiões e, principalmente, num continente tão grande como a Ásia. Por
isto, decidi ir mais fundo na importante análise destas diferentes mentalidades
procurando cobrir o máximo de vertentes possível a fim de vos exibir e, como
podeis observar, temos desde já muito para aprender e muito mais para reflectir
porque este não é só um fenómeno asiático mas uma mentalidade típica nativa
inerente às civilizações aborígenes de todos os continentes: a isto chamamos
fenómeno de comportamento e entendimento universal.
Olhando o mapa (abaixo), apesar
dos cerca de cem milhões de praticantes desta vertente do budismo, notamos
países e regiões comunistas podendo (e devendo) acrescer a isto o grande e
veloz avanço do muçulmanismo fenómeno este que nos surge, pelo menos, desde o
último terço do século XX e acelerou no século XXI e para esta observação a
Índia é um óptimo exemplo do que afirmo acerca deste movimento. Mas tal não
abrandou nem diminuiu o número de budistas theravada porque o enorme número de
pessoas incultas devido aos sucessivos colonialismos, pela segunda grande
guerra mundial, pelo avanço comunista e, posteriormente, pelas devastações
provocadas pelas sucessivas guerras dos EUA no Vietname, Camboja e Coreia
contribuíram não só para a mortandade como também para o grande estado de
miséria do povo; cerca de cinco séculos, para mais do que para menos, consecutivos
de domínio estrangeiro e de devastação, não contemplando aqui as causas
naturais como as vulcânicas, sísmicas, etc.

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Dhamma é um
tão amplo conceito que tudo abarca e que me tem atraído durante anos mas por
razões tanto filosóficas como sociais, económicas, políticas, etc, mas nunca
por um aspecto espiritual; aliás e como já anteriormente disse, nada no budismo
alguma vez durante todos os anos da minha vida me atraiu espiritualmente, a não
ser desde há cerca de três anos para cá. Nos anos setenta e desde os anos
sessenta, foi o taoismo a par com o confucionismo que me impregnou o pensamento
e isto no que respeita às filosofias mais do que à espiritualidade do extremo
oriente pois, na realidade, era o hermetismo e esoterismo ocidental quem mais
me abarcava desde os anos sessenta. Isto, naturalmente, pelo meio talmúdico e
cabalístico em que nasci, mas também rosacruciano da A.M.O.R.C. como da
Fraternidade, ambas existentes em Portugal mas baixo a ilegalidade e a
perseguição do sistema Católico Ditatorial que dominou este país por cerca de
quarenta anos.
Porém e no
meio de tanto estudo para um miúdo que acabara de fazer nove anos, havia dois
livros que possuía, estudava avidamente e neles meditava constantemente: o I
Ching e o Sutra Diamante. Ora, o I Ching é bastante compreensível tendo em consideração
que a influência da Cabala (tal como da Matemática, por exemplo) era umbilical
em mim constituindo, se não a minha base, a grande parte do meu pensar e dos
sistemas de constatação dedutivos. Agora, se me perguntarem o porquê de uma
obra de Buda e em especial o Sutra Diamante a minha resposta ainda hoje é «não
sei». O budismo estava não só fora como longe do meu leque de interesses e,
por qualquer razão, repelia-me ao ponto (nada comum em mim), de rejeitar a
ideia de ler fosse que livro fosse que abordasse o budismo como uma via
espiritual. Eu sei quanto material tive de estudar e que pelo qual não nutria
qualquer interesse, essencialmente pela forma distorcida como nos apresentavam
e obrigavam a aprender dessa maneira, mas com um pouco de esforço eu conseguia
levar o assunto ao fim e com bons resultados. Agora, com o Budismo prático e
como via espiritual o fenómeno era totalmente diferente… a aversão era enorme
ao ponto de mesmo pensar hoje que nunca compreenderei a causa que estaria por
detrás deste sentimento tão avesso e, que tal como começou e perdurou por mais
de quarenta anos sem mais nem menos essa aversão desapareceu.
Porém, o
Sutra Diamante foi e ainda hoje o é (mais ainda do que o Sutra do Coração), um
documento muito especial e, relativamente ao Budismo, exibiu-me sempre esse meu
tão profundo antagonismo. Porque é que o Sutra Diamante foi para mim sempre tão
importante e tão especial se eu nem sequer um pequeno comentário sobre o
Budismo religioso era capaz de ler? Bom, o meu venerável amigo Dhammachotika
está a analisar este aspecto mas seguramente terei de o concluir em mim.
Veremos… Perante isto a resposta de Dhammachotika, obviamente, ainda é o
silêncio mas por este silêncio decidi afirmar-lhe «penso que poderia e posso
penetrar mais profundamente no budismo se me conseguires fazer entender o
porquê de os budistas possuírem tanta veneração e dedicação a tão
diversificadas imagens, quando no Sutra Diamante Buda afirma numa poética
‘Aquele que me tentar discernir na forma, Ou procurar-me no som, Não é um
praticante dos métodos budistas, Não podendo discernir o Tathagata’».
Perante isto o Venerável Dhammachotika de imediato me respondeu «Claro, com
certeza, nós não necessitamos de qualquer tipo de imagem de Buda e assim
possamos nós profundamente nos concentrarmos no real sistema educativo tal como
na prática actual por nós próprios, isto é: individualmente. Mas quando nós
vemos uma imagem de Buda – e das que chamaste de diferentes é porque cada uma
transmite um conjunto de mensagens e por isso elas são necessárias -, nós
devemos acima de tudo concentrarmo-nos no Seu Conhecimento e conduta, incluindo
a Sua grande Sabedoria, a Sua grande Compaixão, e Perfeição para com os seres
ao ponto de deixar a sua casa e todos os seus a fim de procurar a verdade
dedicando-se durante seis anos para alcançar a iluminação, tornando-se
finalmente o Buda livre de todas as dependências e agrilhoamentos. Portanto, é
importante entendermos que as variegadas imagens de Buda são apenas uma parte
de dependência espiritual. Um budista aprende o ensinamento de Buda e, depois,
através deste e das práticas correctas, as quais também temos aprendido,
alcançamos os olhos do Dhamma factor de enorme importância para os budistas
para alcançar a paz interior e a sabedoria para que se possam remover as
poeiras e todas as matérias abstrusas dos olhos não desenvolvidos. Portanto e
como vês, nenhuma imagem é necessária pelas razões que aqui expus.»
Depois disto,
Dhammachotika enviou-me o link de uma página http://www.palikanon.com/english/english_web.htm mas para os que não
entendem este idioma aqui vos deixo uma em português a qual servirá, mas não
substitui, http://www.acessoaoinsight.net/index.htm e outra, também
brasileira, http://nalanda.org.br/sobre/theravada.php. Não obstante a primeira
parece-me muito mais aprofundada até porque é a tradução directa de uma
excelente página theravada em inglês e o tradutor é óptimo.
«Dhamma é
um termo em Pali que em português significa rectidão sendo em Sânscrito Dharma
e, portanto, também significa rectidão. Donde ambas são iguais no seu sentido
apresentando apenas as diferenças linguísticas. É, portanto, correcto dizer que
na tri-relação Pali, Sânscrito e Português, Dhamma = Dharma = Rectidão. »
Assim se pronunciou Dhammachotika e eu, sem ainda ter reflectido minimamente no
que ele acabara de expor, debaixo da minha ansiedade de saber imediatamente lhe
perguntei «mas… posso eu afirmar que sendo o Dhamma a totalidade da
aprendizagem e do conhecimento, feitos, acção e, acima de tudo, rectidão, por
causa do meu Karma a parte que me é dada aprender com perfeita compreensão tal
como com rectidão para fazer e actuar, a essa porção é a que eu posso
considerar o meu Dharma?» Pacientemente Dhammachotika respondeu-me «Bom…sim…realmente
podes dizer que isto e mais baseia-se no teu bom Karma com plena consciência e
esforço relevante no agir bem». Foi nesse momento que compreendi a minha
desatenção, a minha falta de reflexão a favor de apenas estar concentrado em
algo que eu queria defender e nem sequer estava cultivado para isso… querer
defender um ponto sem conhecimento só pode resultar nisto e o meu ponto era à
viva força querer demonstrar uma hipotética triologia aonde não havia razão e
muito menos lugar apara tal e era ela: Dhamma, Dharma e Kharma. Mas e como já
afirmei, Dhamma e Dharma são o mesmo no seu significado apenas diferindo porque
a primeira é em Pali e a segunda em Sânscrito. Nessa altura lembrei-me de que
Buda não tinha ensinado em Sânscrito mas em Pali -http://www.geocities.com/lamberdar/sanskrit_sruti.html. Não consigo encontrar uma
tradução desta página para português mas aproveito para vos deixar outra em
português e que pertence a um Centro
Theravada no Brasil http://theravadacuritiba.wordpress.com/theravada/
- e por todo o
isolamento a que o seu pai o sujeitou, com o fito da sua felicidade, o mais
provável é que Ele nem tenha aprendido o Sânscrito porque são muitos os anos
que este idioma exige para ser dominado englobando no mínimo o domínio de dois
enormes documentos: o Mahabharatam e o Ramayanam; o que representa entre dez a
quinze anos. Mas e independentemente destas conjecturas, o importante é que
Buda nos ensinou que cada um de nós deveria aprender o budismo, pelo menos, no
seu idioma natal.
Por uma
questão de bom gosto não tenho prazer algum em exibir as minhas idiotices, mas
por uma questão de princípio e quando essas idiotices podem instruir os outros
sobre o que não se deve fazer, então estou sempre aberto a apresentar os meus
próprios exemplos afins. Por isto e pela sua importância aqui vos exponho o
diálogo entre mim e o meu Venerável amigo Dhammachotika:
Eu: Encontro-me aqui com
problema de conceito e que assenta no Dharma relativamente ao Dhamma.
(Pausa)
Eu: Posso afirmar que o
Dharma se compõe de aspectos do Dhamma em função do Kharma de cada pessoa?
(Não se riam ainda porque
por meio da burrice pode-se aprender muito.)
Eu: Bem… sim…
Dhammachotika: Bom, Khamma
em Pali é o mesmo que Kharma em Sânscrito significando os dois ‘fazer’ e
‘acção’ em Português. Da mesma forma as outras palavras, Dhamma em Pali e
Dharma em Sânscrito ambas significam ‘rectidão’.
Eu: Pretendo ver se é
verídico aquilo que entendo…
Dhammachotika: Perfeito. E
Kharma é uma palavra Sânscrita = fazer, acção. Ambas, Kharma e Khamma têm o
mesmo significado tal como ambas podem ser desenvolvidas e realizadas por
qualquer um, através dos três processos de acção a saber: conduta física,
conduta da expressão ou do modo de se exteriorizar - como a fala ou discurso –
e conduta da mente. Cada um destes Kharma(s) produz os seus resultados
imediatos para e na vida quer se seja ou não consciente disto tal como dos
actos que executamos daí que através de Kharma(s) ou Khamma(s) negativos ou maus, (como quiserdes),
por esses actos de imediato um ser recebe os aspectos negativos karmicos ou
kammicos negativos como resultado.
Eu: Bom, está de acordo com
a fórmula portuguesa do cá se fazem cá se pagam. J
Dhammachotika: Este aspecto
de incapacidade de desenvolvimento karmico de saber lidar com a vida por falta
das ferramentas adequadas, normalmente assente no aspecto negativo da lei do
menor esforço – porque todas as leis têm no mínimo, cada uma, os dois aspectos
a saber: negativo e positivo -, conduz inevitavelmente aos estados stress e,
portanto, ao sofrimento. Por isto, podemos observar que o Khamma ou Kharma
através dos três meios de acção mencionados, definitivamente são a influência
determinante da vida de cada um definindo profundamente o apetrechamento de
cada um para a liderança dos seus actos.
Eu: O dhamma é portanto o
total conhecimento com acção.
(A minha distracção
prossegue mas agora por ter concluído uma regra que permite deduzir uma palavra
em Pali na sua correspondente em Sânscrito: em dois ‘m’ consecutivos o primeiro
tende a tornar-se ‘r’ para o Sânscrito com: Khamma (Pali) e Kharma (Sânscrito).
Claro que esta dedução não veio apenas deste diálogo mas de muitas conversas
anteriores em que se aplicaram outros termos. Porém, o fundamental é que a
minha falta de foco prossegue.)
Dhammachotika:
Claro, obviamente! É evidente na minha exposição que Dhamma ou Dharma
significam rectidão e se o Dhamma ou Dharma não existissem como poderíamos nós
elevar o nosso Khamma ou Kharma…?
Eu: Por causa dos aspectos
positivos do meu Kharma posso então eu aprender mais rapidamente…hmmm…
Dhammachotika: Sim; tal
como também um bom Kharma o que é já de si, basicamente, benéfico pode e deve
ser desenvolvido para mais elevados estados mentais pelo desenvolvimento da
moralidade consciente, da concentração e da sabedoria. Por outro lado e para
uma melhor compreensão, o Dhamma (Dharma) pode ser comparado ao alimento
saudável tal como o Kharma (Khamma) pode ser comparado a um empregado e a capacidade
de escolha (Cettana, um dos principais factores mentais) da mesma forma mas a
um empregador ou patrão. Um consumidor abalizado saberá seguramente como
escolher os seus alimentos para se alimentar mantendo-lhe ou, mesmo,
aumentando-lhe a saúde após o prazer de uma deliciosa refeição. Desta forma
cabe ao empregador (ou patrão) e ao empregado conhecerem devidamente as suas
tarefas (missões) a fim de fornecer o melhor alimento ao consumidor quando a
saúde deste não lhe permite seleccionar e cozinhar por si próprio.
Eu: Sim, evidente.
Dhammachotika: Tanto o
patrão como empregado, acima descritos, actuam bem dentro das suas abalizadas
capacidades de escolha. Se actuam bem, isto é, agindo na perfeita qualidade do
seu Kharma ou Khamma, logo a este acto chama-se rectidão ou Dhamma. Porém, se a
acção desses for a de aldrabar entregando alimento imprestável através dos
negativos Cettana e Khamma, o resultado é o Adhamma ou seja, ‘A’ = não e
‘Dhamma’ = rectidão, isto é, a não rectidão e por esta ausência do Dhamma com
intenção sofre a acção o Cettana e o Khamma, isto é: o(s) individuo(s) da acção
negativa. Mas, o doente eleva-se karmicamente tal como a nível de Cettana
independentemente se morrer ou não.
(Posso afirmar que a minha
falta de concentração contribuiu para todo este desenvolvimento de explicações
de Dhammachotika que, como me confidenciou mais tarde «tu estavas a leste de
tudo e eu que sou do leste tentava por tudo pôr-te ciente da tua desatenção».
O que Dhammachotika não imaginava é que eu teria coragem de publicar isto na
íntegra)
Eu: Eu apenas estou por
aqui a tentar uma correspondência, se tal é possível, entre Dhamma, Dharma e
Kharma… Portanto, posso afirmar que a completude da Rectidão é o que significa
Dhamma?
(Eu compreendo e aceito
totalmente se o leitor afirmar a esta altura «caramba que este tipo já
irrita de tanta estupidez!» Até porque é verdade.)
Dhammachotika: Sim, claro!
– Após longa pausa Dhammachotika prossegue - «Os múltiplos sentidos do termo
Dhamma são todos positivos apenas se destrinçando em diferentes palavras com o
fito de nos reportar aos diferentes estados que possuímos e dar-nos a entender
nesse sentido.»
Eu: Claro que o Kharma
implica acção tal como o Dhamma também o implica, apenas que o primeiro pode
ser pela positiva ou pela negativa enquanto que o Dhamma é a Rectidão. Tal
exibe esse documento que me mostraste escrito por um monge e que desenvolve o
Dhamma na Economia que, pela Rectidão, não só especifica os sistemas económicos
errados como exibe como, com a compreensão do Dhamma, devem ser modificados.
(Pausa)
Dhammachotika: Claro,
correcto.
(Longa Pausa)
Eu: Então Dhamma é a
Rectidão na sua completude incluindo a acção…
Dhammachotika: Seguramente.
Eu: Portanto… Posso realmente
afirmar que a parte do Dhamma que eu posso realizar por causa do meu Kharma é o
meu Dharma…? – Aqui começo a duvidar da validade das minhas perguntas e, acima
de tudo, da validade da minha hipotética triologia; isto é: já vislumbrava a
minha crassa estupidez provocada pela minha falta de concentração em relação às
palavras do professor por teimosamente querer defender uma triologia que nunca
poderia existir.
Dhammachotika: Tal depende
da Lei da Natureza que é a Lei do Kharma.
Eu: Sim…
Dhammachotika: Onde o
Dhamma também é implícito.
Eu: Correcto meu venerável
mestre e muito obrigado.
Dhammachotika: Sempre ao
teu dispor meu amigo no Dhamma.
Na
altura em que isto aconteceu, tal como agora que estou a traduzir e a redigir
este texto, eu rebentei em grandes gargalhadas mas e na realidade, durante todo
o diálogo é observável toda a energia que perdi e, se não tivesse redigido, até
os dados de Dhammachotika eu teria perdido para mais tarde reflectir. Isto
exibe até ao desespero o que acontece quando um estudante ao se dirigir ao
professor já leva na sua mente um aspecto irreflectido que quer defender;
mantendo-o afincadamente com o fito de o mais ínfimo pormenor desse aspecto não
se perca, não só acaba por dizer asneiras como perder toda a lição do professor.
Pela importância disto e porque sei que isto acontece inúmeras vezes aqui vos
ofereço este precioso fruto da minha imbecilidade a fim de que possais observar
aquilo que nunca deverá acontecer e asseguro-vos que por muito menos qualquer
mestre teria afirmado rapidamente «Vá para sua casa e medite profundamente
não só no que está a dizer como no seu comportamento!» ou qualquer coisa
idêntica.
Para
uma observação do que falei sobre o sentido do conceito Dhamma ou Dharma e
porque é o Sânscrito o meu domínio, vou-vos expor alguns exemplos em função dos
níveis que o conceito implica mas sempre no sentido positivo da Rectidão:
1.
Aquilo que é ou está estabelecido
ou firme, decreto, estatuto ou lei irrefutável, ordenação, lei usual referente a
prática habitual provada como aceitável, prática, observância indiscutível ou
conduta prescrita, direito de obrigações, justiça[2], virtude,
moralidade, religião, mérito religioso, bons actos ou bom trabalho, de acordo
com o direito ou com a regra, correctamente, rectamente, justamente, de acordo
com a natureza afim a qualquer coisa, permanecer na lei, executar-se o dever de
cada um;
2.
Lei e justiça personificada, tal
como um dos participantes do Sol, a lei ou doutrina do Budismo e da sua Ordem
Monástica;
3.
Preceitos Éticos do Budismo,
distinção entre o Abhi-dharma ou Dharma posterior e do Vinaya
ou disciplina – Estes três constituem o Cânon do Budismo Theravada, isto é, do Budismo
do Sul ( reporta-se ao Sudeste asiático.)
4.
A Lei do Budismo do Norte (em nove Escrituras
Canónicas): (1) Prajna-pa1ramita, (2) Ganda-vyuha,
(3)Dasa-bhumisvara, (4) Samadhiraja, (5) Lankavatara, (6) Saddharma-pundarika,
(7) Tathagata-guhyaka, (8) Lalita-vistara, (9) Suvarna-prabhasa.
5.
Natureza, carácter, condição
peculiar ou qualidade essencial, propriedade, marca ou marcação, peculiaridade
= sva-bhAva;
daza-dh-gata; upamAnopameyayor. O tertium comparationis.
6.
Cerimónia, sacrifício[3], a nona
mansão, uma associação do Upanishad, associado(a) ou associando à (com a)
abstracção virtuosa religiosa[4], devoção upamA, a
curva, curvatura, veneração dos Dharmas, o bebedor (de) ou bebida Soma.
Assumindo
as abruptas diferenças de mentalidade entre o oriente e o ocidente[5] peço-vos
que observeis e analiseis os pontos acima com olhos de espiritualidade no mais
amplo sentido do termo. Pode-vos parecer poucos aspectos para um conceito tão
global que tudo envolve e tudo evolve, mas não deixeis de observar a nota 5 (em
rodapé); da mesma forma e se eu expusesse tudo o que em cima ainda permanece em
Sânscrito – autênticos tratados do pensamento -, acrescentando a tudo isto
ainda as mais de trinta combinações em Sânscrito acerca do acima exposto… bom,
mesmo assim não chegaria aos calcanhares do que o Dhamma explicita e implica.
Por isto penso que o apresentado é suficiente e, se meditado, seguramente que
ultrapassará esta minha suficiência.
Tal
como o fiz em relação à página do Templo Buddhapadipa http://www.buddhapadipa.org do mesmo modo
procedi em relação à página Dhamma
Corner http://www.buddhapadipa.org/pages/dhammacorner.html do mesmo Templo, sentindo-me à vontade para executar o meu plagiarismo, por
profundas boas intenções, cujos textos indubitavelmente representam uma real
explanação do que se pretende sobre o Dhamma esperando que os mui dignos
membros do Templo Buddhapadipa
não só não se importem como também se possam orgulhar da tradução que aqui
executo e exibo:
«De
vez em quando, quando não sistematicamente, vos podereis interrogar sobre o
significado da vida, e. g: há nesta uma razão, um propósito ou, em suma: e…
para que é isto tudo afinal…? Buda, profundamente, levantou estas questões em
si próprio ao ponto de, determinado até às últimas consequências, decidir ser
ele a ir descobrir as respostas abandonando toda a sumptuosidade do seu
palácio, dos seus jardins e de toda a sua vida para se tornar um asceta, um sem
abrigo nas piores condições do termo. Encontrou realmente muitos e mui dignos
mestres nas suas caminhadas os quais o ensinaram de sobre modo sobre os seus
conhecimentos ma no seu íntimo Buda sabia de que tudo ainda se encontrava por
responder. Após seis anos de buscas decide praticar por si próprio, sozinho
senta-se e encostando-se àquela árvore – a árvore Bodhi ou a do pensamento de
Buda -, jurando ali permanecer e naquela postura de lótus, até obter as
respostas… o conhecimento. Buda passou a conhecer Verdade e desta forma ele foi
considerado o Iluminado e a Verdade passou a chamar-se Dhamma.» (In
Os Ensinamentos de Buda)
Podereis dizer que tudo isto é muito elementar, mas
também eu o sou. De facto e se tal vos contenta, toda a filosofia tal como as
ciências assenta no elementar – pena é esta palavra ou termo (como quiserdes),
ter sido tão banalizado. Por favor, assentai na elementaridade das coisas e não
deixeis de ler este documento mas e acima de tudo, as páginas que aqui vos
apresento. Ah! Plágio! Mas porque hei-de eu extrapolar sobre esta matéria com
páginas tão profundas na internet? E será que o leitor lá iria se eu não
vertesse algo delas que lhe demonstrasse a validade? Os veneráveis que cederam
os seus textos para estarem a público gratuita e vinte e quatro horas por dia
são sábios, profundos conhecedores dos sistemas pedagógicos e, portanto,
definitivamente preparados para nos elucidar. Observe-se, por exemplo, a
conexão entre as Quatro Nobres (ou Notáveis) Verdades, o Dhamma e o Khamma
(Dharma e Kharma respectivamente):
«As Quatro Nobres Verdades que Buda realizou são
(1) Para viver temos de sofrer. (2) O sofrimento é provocado pelos anseios,
pelo desejo mais ou menos intenso. (3) O sofrimento pode ser ultrapassado. (4)
Há um caminho que nos conduz ao fim do Sofrimento. Este caminho assenta no
entendimento correcto, no correcto discurso ou modo de falar, na correcto modo
de agir, num correcto sistema ou modo de vida, no correcto esforço, na acuidade
sobre as nossas responsabilidades tal como para com elas prestar a devida
atenção ou cuidados e, finalmente, a correcta concentração.»
Mais do que uma Religião - e sobre o termo
‘religião’ reporto-me aqui às implicâncias que a forma de pensar ocidental tem
sobre este conceito, porque Buda não veio religar nada mas e isso sim,
ensinar-nos o modo de vida para parar o sofrimento assim como a praticamente
viciada cadeia das reincarnações -, o Budismo é (implica) uma filosofia e um
modo de vida (ambos indissociáveis) aonde as nossas escolhas tal como as nossas
práticas assentam na execução do correcto actuar deixando definitivamente todas
as coisas más, quer nos actos, quer nas nossas afirmações, etc, de forma a se
alcançar a mestria para viver uma vida de paz e harmonia.
Se uma pessoa desejar dar início aos seus estudos e
práticas budistas mas sente que há uma profunda razão para ter encarnado numa
religião e que a mesma, independentemente de ser ou não a oficial ou a
dominante no seu país de nascimento, deve ser mantida não há qualquer objecção
para não dar início e levar a cabo os seus estudos budistas. Note-se que, entre
muitos, o Dalai Lama afirmou há poucos anos aqui em Portugal aquando da sua
visita ao Santuário de Fátima, que qualquer mudança de religião é sempre uma
questão muito problemática. Portanto os cientes de que devem permanecer na sua
religião que o façam mas e desejando, mantenham os seus estudos e práticas
budistas; agora, quando uma pessoa sente em si que é altura de assumir em pleno
a atitude budista, facto bem meditado e devidamente concluído, então que
trabalhe nisso em pleno.
A irracionalidade tal como a histeria apenas conduz
à porta errada para entrar onde quer que seja; nisto não há qualquer espírito
decisivo mas apenas aberração e erro. Eu comecei os meus estudos budistas aos
cinquenta e três anos de idade mas não afirmo nem afirmarei como Confúcio
quando entendeu a profundidade do I Ching «… se somente deus me concedesse
mais cinquenta anos de vida eu os dedicaria integralmente a este documento.»
Não! Eu compreendo perfeitamente a ideia de Confúcio mas tal não se aplica a
mim porque e para mim, a importância é aprofundar estes meus novos estudos a
par com todos os outros que desde há muito venho desenvolvendo enquanto que
Confúcio dominava profundamente o taoismo como muito da cultura chinesa na qual
era e ainda hoje o é, um exímio mestre e um grande sábio e eu, pelo contrário,
não o sou. Desta forma, o importante para mim é que todos os passos que eu dê
sejam executados com um profundo entendimento do conceito ou da ideia mais
pequenina que me surja neste caminho ou, como disse Buda «Não
devemos acreditar numa coisa dita meramente porque foi afirmada; nem em
tradições apenas porque provêm de longa antiguidade; nem em rumores frutos dos
contactos com os nossos antepassados; nem nos escritos dos sábios apenas por
terem sido escritos por eles; nem em algo que suspeitamos ser fantasias apesar
por nos dizerem que foram inspiradas por devas; nem por inferências surgidas
por qualquer acaso assim por nós entendidas ou mesmo provocadas; nem porque
aparente ser uma necessidade analógica; nem porque possui a autoridade dos
nossos professores ou mestres. E que quero eu dizer com isto? Nem mesmo em mim
acrediteis! Mas devemos acreditar quando um escrito, doutrina, ou uma afirmação
corrobora com a nossa consciência e razão. Por isto» disse
Buda concluindo «Eu ensino-vos a não acreditarem meramente pelo que ouvem,
mas quando uma afirmação, uma doutrina ou um escrito corrobora com a vossa
consciência então e neste caso, devereis actuar de acordo e abundantemente.»
Ora, este ‘corroborar’ afirmado por Buda advém e só pode advir, do correcto
pensamento, da correcta concentração e isto implica todos as outras atitudes
correctas acima focadas. A propósito da espiritualidade em si, no tópico Os Verdadeiros e Falsos Profetas
publicámos este texto anteriormente na nossa web http://fozibernaby.no.sapo.pt .
Observe-se
agora as mesmas afirmações de Buda mas em Pali e em português e intitulado Como
Lidar com as Dúvidas:
O Budismo apela para o trabalhar
com e sobre a mente e isto é evidente nos Quatro Pensamentos:
1. Reconhemos
nesta vida a nossa preciosa oportunidade de, através dos métodos de um Buda,
podermos beneficiar os inúmeros seres. Poucas são as pessoas que encontraram
alguma vez os ensinamentos do caminho do Diamante e muito menos são as
capacitadas para o utilizar.
2. É do nosso
conhecimento a impermanência das coisas compostas. Somente nos resta o claro e
ilimitado espaço mental sendo incerto porquanto tempo as condições permanecerão
para o reconhecermos.
1. Estamos
seguramente a par da causalidade; de que depende de nós tudo o que acontece.
Pensamentos formados tal como pensamentos forma, palavras e actos são a razão
do nosso estado actual estando nós neste, como em cada, preciso momento a
semear as sementes para o nosso futuro.
2. Finalmente,
concluímos a importante razão de trabalhar a (e com a) nossa mente. A iluminação
é a bênção mais elevada, não podendo nós beneficiar os outros enquanto nos
encontrarmos confusos ou perturbados.
Desta forma, predispomo-nos
àqueles que estão abalizados para nos ensinarem.
O ponto 1. assenta no pensamento
base para alcançarmos a mente Bodhi, isto é: a predisposição de em tudo o que
fazemos contribuir para o benefício de todos os seres. Os pontos 2. e 3.
exibem-nos as condições em que nos encontramos nesta vida e o ponto 4.
reporta-se àquilo que afirmei sobre o corroborar com a nossa mente, isto é: o
correcto pensamento e a correcta concentração inseparáveis de todas as outras
atitudes correctas. Desta forma, o ingressar na mente Bodhi implica o profundo
silêncio que devemos manter com a concentração correcta a fim de permitirmos a
nossa indução em meditação tal como a dedicação dos nossos recitais, os quais
envolvem a meditação e a ela induzem, para benefício de todos os seres.
Um aspecto de relevante importância
é o que eu acima apresentei baseado no texto da página da internet do Templo
Buddhapadipa e que agora se torna mais claro após toda esta minha exposição
orientada pelo meu venerável amigo Dhammachotika e que se reporta ao correcto
entendimento, ao correcto pensamento, ao discurso ou fala correcta, à acção
correcta, à vida e vivência correcta, à mente correcta como à correcta
concentração. Esta última tem sido um ponto importante na minha vida porém e
tal é evidente, que todos estas acções correctas estão de tal forma
interligadas ao ponto de não se poder afirmar qual a mais importante entre
elas, isto é: nenhuma de per si pode avançar sem as outras. Donde e para
exemplo, para uma correcta vivência todas as outras actuações correctas têm que
ser aprimoradas, desenvolvidas e mesmo contempladas concedendo-lhes um tempo
diário para uma auto análise e mesmo um diário a fim de podermos analisar os
actos em que mais fraquejamos para os podermos fortalecer jogando aqui o
pensamento e a concentração correcta.
Relativamente à civilização
ocidental o aspecto da concentração correcta é de enorme importância em todas
as actividades e disto depende todos os tipos de desenvolvimento materialista:
económico, cientifico, militar, etc. Por sua vez, a civilização oriental e
principalmente a do extremo oriente, tende a observar toda a cultura ocidental
incluindo a científica como uma unidade demonstrativa dos grandes avanços deste
hemisfério porém, tal é um engano redundante e tal se manifesta na vida
plástica da civilização ocidental, na denominada alimentação de plástico tal
como no modo de vida perturbador de todo o sistema ecológico em que se a África
é o continente esquecido, pela via do economicista em que esta civilização
teima; a sede e a fome vem avançando a passos largos sobre este planeta azul…
actualmente, um falso diamante do universo e é nisto que a Economia Dhamma
procura a rápida resolução na consciencialização dos humanos e aqui se observa
que a pergunta sujeita a Dhammachotika e ao seu grupo sobre o que é mais
importante se um Mosteiro ou um Espaço Comercial não ser de forma alguma uma
coisa infantil mas, pelo contrário, com grandes implicâncias económicas, do
saber-se sobreviver e de inúmeros outros aspectos que posteriormente
desenvolverei.
Agora e se na realidade a
civilização ocidental é tão avançada – tal como questionou e afirmou o Dalai
Lama -, tão culta e tão cheia de sabedoria como é que por estas bandas se
admite e aceita a ideia de que uma pessoa necessita de aprender meditação? Na
realidade, o povo ocidental necessita de imenso pensamento correcto como da
correcta concentração e da mesma forma, da compreensão correcta, do discurso
correcto tal como da correcta argumentação afim, da acção ou estratégia
correcta, duma correcta vivência ou modo de vida, do correcto esforço, tal como
de todos esses correctos que já afirmei mas porque tudo isto é o que conduz ao
sucesso financeiro, à imagem do bem sucedido, em suma: tudo dirigido no sentido
materialista. É impensável uma pessoa bem sucedida no mundo financeiro não
possuir um discurso correcto, uma estratégia correcta que são o sine qua non
demonstrativos da aptidão dessa pessoa para pertencer às altas esferas sociais.
Ora, isto é pura vaidade, puro egoísmo e nada espiritual.
Quanto ao ignorante povo do
oriente – e continuo com as afirmações do Dalai Lama -, que apenas teima em
aprender a sabedoria da antiguidade tal como manter as velhas práticas e, por
isto, parecer que teima em nada querer evoluir, estes povos nem lhes cabe na
cabeça a ideia de uma necessidade de se aprender meditação uma vez que esta
depende de todos os correctos em geral e da concentração correcta em
particular. Desta forma e pela ausência da profundidade dos actos correctos,
faz pipas de massa no ensino da tal meditação que é tão inerente em nós
como os diferentes níveis do sono nos quais entramos automaticamente. Bom, na
verdade, já há ocidentais que necessitam de aprender a dormir e desde há alguns
anos, pelo excesso de stress da vida. Este descaramento financeiro que abarca a
venda em pormenores a que chamam especializações científicas em vez de aspectos
filosófico-culturais, trazidos para o ocidente por personagens que no extremo
oriente aprenderam gratuitamente (mas esses até são uma minoria), apenas fazem
as pessoas cientes da busca espiritual afirmarem «caramba que o Budismo só é
possível para os ricos!» E quem se reporta ao Budismo, o mesmo afirma em
relação ao yoga, ao Sânscrito, ao Tibetano e a tudo o mais afim.
Não estou, nem pretendo dizer que
todos os asiáticos se encontram dentro da sabedoria ou nas suas proximidades
até porque estou ciente de que em todo o planeta todos os seres se encontram em
diferentes gradações do conhecimento e, ‘por todos os seres’ reporto-me
precisamente a tal e não somente aos humanos. Agora que inúmeros assumidos
“professores” ocidentais estão também eles longe da profundidade do que afirmam
ensinar disso nem há dúvidas ao ponto de o orientalismo desde há décadas e aqui
por estas bandas, ser um luxo. Seguramente que todo este actuar negativo tem
grandes excepções e a esses eu louvo pela sua coragem porque normalmente sofrem
a perseguição e as duras críticas dos de cariz financeiro. Por outro lado
também estou ciente de que do extremo oriente muitos charlatães se instalaram
no mundo ocidental vivendo e exibindo descaradamente uma vida de fausto. E tudo
isto apenas me lembra a máxima de Buda «Nada há de constante a não ser a
mutação».
Sobre os donativos estou
completamente de acordo se estes forem em função das possibilidades financeiras
de cada um sabendo-se de que muitos não o poderão fazer e nunca recebendo
respostas de determinados Centros Ocultísticos, como eu tive conhecimento em
relação a um conhecido meu que da Arcane School recebeu uma carta a
comunicar-lhe que paravam a sua instrução porque não podia permanecer sem dar
donativos e o resultado foi: a cisão entre a Lucis Trust e a Arcane School –
sendo a Lucis Trust a editora do material da Arcane School -, fez com que todo
o material se encontre hoje gratuitamente na Internet. Atitudes como esta são
uma aberração que apenas conduzem as pessoas ao descrédito.
Quanto a mim… bom, não há apologia
a fazer. Como já disse sou um simples aprendiz e se este texto vos aparece à
frente é por vontade e orientação do venerável monge Dhammachotika. Portanto,
estou apenas a apresentar-vos aquilo que me vem sendo ensinado e, como já
notastes, não só do Theravada com também do Budismo Tibetano. O meu trabalho
assenta nas comparações sucessivas, entre as diferenças tão fortes a nível
regional como de mentalidades, tal como o mesmo acontece no Zen Budismo no
Japão e suas subdivisões e/ou linhagens (muitas delas fruto das insularidades
que normalmente demarcam fortes diferenças regionais de pensamento). O fenómeno
arquipélago é digno de nota e de um estudo profundo uma vez que já a ilha de
per si o denota.
Nesta parte quero-vos presentear
com outra página da internet – as relativas portuguesas parece-me já as ter
esgotado mas, também, o meu tempo de busca na Internet é escasso -, sendo,
portanto, em inglês e de suma importância http://www.palikanon.com/english/english_web.htm. Esta expõe-vos todo o Cânon Pali
do Budismo Theravada por isso tendes aqui algo que merece profundo estudo e
investigação porque nesta página – na realidade cerca de mil e seiscentas
páginas -, obtereis desde todos os princípios básicos até aos mais avançados
inclusive na qual a fácil apreensão denota a grande capacidade pedagógica dos
mestres. Por outro lado, os aspectos básicos de que estou sempre a falar são de
enorme importância porque se estes não forem dominados com mestria todo o
material avançado será captado com pressupostos defeituosos, normalmente
conducente às conclusões erradas e o inerente desespero de se ver obrigado a
voltar à primitiva. Tende em mente de que isto não se aprende mas que se vai
aprendendo e que o material nunca se esgota. Portanto, gozai este caminho e os
seus maravilhosos e sumptuosos jardins.
O Dhamma é tão evidente, tão
inerente a nós que as primeiras acções dentro da prática vêm da madrugada dos
tempos mas para nós hoje, dentro deste conceito plástico do mundo, se torna
importante caminhar com grande atenção nos mais básicos aspectos. Desta forma
tudo ressurgirá em nós tão naturalmente quando o é e deveria ser em nós porque
se todos temos a natureza de um buda o qual somos ora, se essa natureza é a
nossa quanto mais o Dhamma não será intrínseco a nós? É que um não subsiste sem
o outro aspecto. Entendido isto surge-nos então a triologia profunda ou a
Tripla Pedra Preciosa: Buda, Dhamma e Sangha. Desta forma é logo no limiar dos
nossos recitais meditativos que proclamamos
« Namo
Buddhaya,
Namo Dhamaya,
Namo Sanghaya.
Respeitosamente nos dirigimos à Iluminação de Buda,
Perfeito na Sabedoria e na Compaixão.
Respeitosamente à Nobreza de Dhamma,
A Lei Universal, o Ensinamento de Buda.
Respeitosamente nos dirigimos ao Sagrado Sangha,
Os Protectores do Nobre Dhamma.
Eu me refugio nesta Tripla Pedra Preciosa. »
« Tal como estas três (ou triplas) Pedras
preciosas (ti-ratana) e os Três Refúgios (ti-sarana), i. e: Buddha, Dhamma e
Sangha, tal se aplica à Comunidade dos Santos ouariya-sangha, ou seja: as
Quatro Nobres Verdades (ariya-pugga), o Vencedor Dominante[6]. Ora,
sendo constituído o ti-ratana por: Buda, o Iluminado; Dhamma, a lei da
libertação, descoberta, executada e proclamada por Buda; e o Sagrado Sangha, a
Comunidade Sagrada dos Santos Discípulos tal como por todos os que vivem de
acordo com a lei do caminho. A contemplação das Três Jóias está interligada às
dez contemplações (anussati). »
O ti-sarana: « os três aspectos nos quais todo o
verdadeiro crente budista deposita toda a sua incondicional confiança e que
consiste em Buda, Dhamma e no Sangha. » O ariya-pugga: « de acordo com
o Abhidhamma, ‘a via ultra mundana’, ou simplesment ‘a via’ (magga),
sendo esta a designação do momento da entrada nos quatro estágios de santidade
– sendo o Nibbāna o objecto -, produzido pela profunda intuição interior (vipassanā) no seio da impermanência,
miséria, ausência de personalidade sobre a existência projectando no avanço
(forçando-o) ao ponto de para sempre transformar a natureza de vida de cada um.
Por frutificação (phala) pretendemos definir aqueles momentos de consciência
que se seguem imediatamente a seguir ao momento como resultado da via e que, em
determinadas circunstâncias, se podem repetir inumeráveis vezes durante a vida. »
Para um aprofundar destes e de outros termos podem ir ao Dicionário
Theravada http://www.palikanon.com/english/wtb/dic_idx.html
que
apresenta e explica inúmeros termos e doutrinas e da autoria de Nyanatiloka.
Aqui quero apelar para a compreensão dos veneráveis autores e escritores desta
página dado este meu plágio mas que entendo que foi com a melhor das
intenções que me dediquei a esta tradução não obstante reconhecer que esta não
é das melhores mas sempre esperando as vossas dúvidas em relação a esta ou
qualquer outra matéria afim. Em todos os casos terei sempre o apoio do meu
venerável amigo Dhammachotika.
![]()
Sahabrahmajarika:
Acabei agora mesmo o meu diário e quase enchi duas páginas - « bom –
pensei eu – tudo depende da dimensão delas e da letra de Dhammachotika -
(este é o outro seu nome) – porque durante as minhas viagens pelo extremo
oriente tive muitas oportunidades de me pasmar com as dimensões delas… »
Eu:
É um hábito magnífico.
Sahabrahmajarika:
Sim, estou de acordo. Acabei de escrever sobre todas as actividades a que me
dediquei hoje.
Eu:
Constantemente digo às pessoas a importância deste hábito. Todas as pessoas
deveriam de ter e usar um diário.
Sahabrahmajarika:
Verdade?!
Eu:
Ter e manter os diários actualizados é uma forma excelente de desenvolver a
capacidade de escrita permitindo, paralelamente, uma revisão dos nossos actos e
actividades.
Sahabrahmajarika:
Estou totalmente de acordo meu querido amigo.
Eu:
Saber como utilizamos o tempo é muito importante.
Sahabrahmajarika:
Seguramente que sim! Esse é um aspecto importantíssimo.
Sahabrahmajarika:
Permite também o organizar dos meus pensamentos:
1.
um
diário será no futuro uma referência de inestimável valor:
2.
concede-nos
com acuidade uma clara informação sobre a nossa vida e o nosso estudo;
3.
dando-me,
inclusivamente, a grande oportunidade de desenvolver o meu inglês escrevendo-o
de acordo e como deve de ser;
4.
tornando
possível a forma de se organizar o nosso pensamento sistemático.
Sahabrahmajarika:
Estes, entre outros, são os meus objectivos, querido amigo.
Sahabrahmajarika:
O que é que tu pensas disto que te acabei de dizer?
Eu:
Magnífico. O que acabas de expor é excelente e eu passo o tempo a focar a
importância do diário aos meus alunos. É importantíssimo.
Sahabrahmajarika:
Claro que é!
Eu:
Muito do que escrevemos e que na altura nos parece inútil, mais tarde
observamos ser de profunda utilidade. Quantas vezes não ouvi – e tal também
aconteceu comigo -, « caramba! Eu sei que tinha escrito sobre isto… mas
deitei fora. » Era já meio caminho andado.
Eu:
Porque tudo tem o seu tempo no sentido do entendimento e da aplicação.
Eu:
Tal como as plantas e as árvores que dão os seus frutos no tempo que lhes é
destinado.
Sahabrahmajarika:
Magnífico! Fantástico!
Nada
melhor para abrir este tema do que este nosso diálogo. Eu foquei atrás que o
ponto não era fazer meditação mas e isso sim, praticar a correcta concentração
o que implica: o entendimento correcto, o pensar correcto, o discurso tal como
a forma de falar correcta, a acção correcta, o viver e a vivência correctas, o
correcto e verdadeiro esforço e manter a mente dentro da correcção; tudo isto é
inseparável, isto é, pensar desenvolver um aspecto sem os outros é tão gritante
como pensar em tocar uma sinfonia no piano apenas com um dedo. Dhammachotika
também me chamou à atenção que o povo da cultura ocidental tende a conceder
valores a pensamentos e actos como se eles fossem alheios a nós e por nós
adquiridos mas que na realidade eles estão em nós e nos são naturalmente
intrínsecos, como o meditar, o dormir, a sabedoria, etc e que, assoberbando
essa valorização, mais as coisas naturais nos parecem alheias e o conceito do
adquirir exprime apenas uma ideia egóica. Naturalmente, tudo nos é intrínseco
tal como muito disso tudo é impermanente. Buda não diz «eu sou Buda…» ou
algo semelhante, porque o ser-se é em função do tempo e o tempo é impermanente.
Aparentemente
mudando de assunto decidi apresentar ao meu mestre uma página da internet que
seguramente ele não estava a par e que considero muito importante para expor
aqui com o intuito do esclarecimento espiritual e do seu desenvolvimento.
Eu: Estava a procurar um
tópico na internet quando deparei com esta página http://www.wsu.edu/~dee/BUDDHISM/MAHAYANA.HTM e que sobre a qual eu
gostaria da tua apreciação.
Sahabrahmajarika: Um
momento, vou lê-la…
Eu: Perfeito, eu aguardo.
Sahabrahmajarika: É uma
página excelente.
Eu: Sim, eu pensei o mesmo.
Peço-vos, caros leitores, que leiam
a página porque o texto é muito elucidativo se bem que seja em inglês mas nas
páginas portuguesas, de que já falei, este material também é abordado. Bom,
nunca me dediquei tanto a buscas na internet mas felizmente tudo o que aqui vos
apresento é muito bom. Depois desta pausa o diálogo prossegue:
Sahabrahmajarika:
Gostaria imenso de saber sobre o teu dia a dia aí em Portugal tal como sobre as
tuas práticas em geral e os teus tempos de meditação… também gostaria de saber
a que seita é que tu pertences…
« Aqui
entendi definitivamente como os asiáticos, pelo menos os do extremo oriente
sul, não diferenciam entre religião e seita. Bom, acima já me tinha reportado a
isto aquando do significado do termo religião. »
Sahabrahmajarika: Também me
encontro a escrever sobre ti desde que te conheci.
Sahabrahmajarika: És
Taoista?
« E mais uma acha para a fogueira; realmente o
taoismo tem uma vertente xamanista, mas o taoismo em si nunca constituiu
religião. »
Sahabrahmajarika: Ou
pertences a outro tipo de seita, meu amigo?
Eu: Não, não pertenço a
nenhuma. A minha família é de origem judaica mas já há várias gerações que nos
desligámos disso. Não temos religião e sobre isto deixamos aos nossos filhos e descendentes
em geral que decidam. O taoismo foi por mim escolhido como Filosofia e Modo de
vida mas nunca como religião… não tenho vocação para xamanista.
(decidi deixar desta forma o nosso diálogo via
internet mas agora sobre forma escrita. É um chat mas que merece pelos
esclarecimentos que concede. Sahabrahmajarika ou Dhammachotika – é o mesmo,
sendo primeiro para estrangeiros e o segundo para os do mundo dele e no qual
ele me inseriu, prossegue na sua avaliação sobre mim e eu acho muito bem.)
Eu: As nossas meditações
aqui, começam de manhã cedinho logo após acordarmos. Primeiro fazemos uma
lavagem básica e depois meditamos tomando um duche a seguir e depois o
pequeno-almoço.
Eu: Segue-se o nosso
trabalho e temos um longo recital com meditação que se inicia um pouco antes do
pôr-do-sol. Por volta das vinte e uma horas começo os meus estudos e os meus
escritos e ao deitar, sobre a cama em postura de lótus, fazemos a última
meditação do dia. Claro que isto é um breve resumo das minhas e nossas
actividades aqui em casa.
Eu: Claro que gosto imenso
de jardinar, cozinhar e também temos que preparar as nossas roupas como fazer
as camas. Mas isto é fácil porque vestimos com grande simplicidade.
Sahabrahmajarika:
Fantástico!
Sahabrahmajarika: Acho
muito interessante o facto de vocês aí em casa, tal como a vossa família não
pertencerem a uma seita.
(Com todo o meu prazer expus-lhe estas coisas,
porque eu sei que Dhammachotika as aproveitará para um fim, o que não se fez
esperar.)
Sahabrahmajarika: Isto
faz-me lembrar uma afirmação de Buda: que tudo, como na moralidade,
concentração, etc, se assemelha a um barco que usamos quando necessitamos de
atravessar um rio; quando a travessia termina as pessoas já não dependem mais
do barco. Tal significa que as pessoas não devem depender de uma crença a não
ser por uma razão válida… infelizmente para uma grande maioria a crença é mais
adoptada pelo medo do que pela razão válida.
Eu: Bom, na nossa família
temos dois ou três que são católicos, outros que são Espíritas, Maçónicos,
Rosacruzes tal como pertencentes a outras escolas esotéricas mas a grande
maioria é materialista.
Eu: Por isto e dada a nossa
idade, podemos agora estar a estudar e a praticar o Budismo sem medos ou
preconceitos. Fazemo-lo porque queremos.
Sahabrahmajarika: Sim! Por
isso mesmo eu digo: que todos aqueles que apenas dependem das práticas, como da
moralidade, ou da concentração sem uma razão válida nunca poderão atingir um
nível elevado no Budismo e isto foi ensinado por Buda.
Eu: E o budismo de per
si e não por obrigação ou imposição familiar é que nos obrigou pelas suas
razões válidas, tal como nos foi dado a observar.
Sahabrahmajarika:
Excepcional!
Eu: Sim, e esta é a razão
porque estamos a estudar o budismo. A altura chegou naturalmente tal como tu
apareceste e, desta forma, as condições foram reunidas. O teu suporte para
connosco tem sido enorme.
Olhando para a forma como o Budismo é apresentado
no Ocidente decidi prosseguir tendo em mente que até um mestre tem limites. Na
realidade Dhammachotika não estava a par das investiduras (Empowerments), que
implicam votos e que ao que parece nem o Zen e, seguramente, nem o Theravada
possui, sendo apenas típico do budismo tibetano.
Sahabrahmajarika: Estás a
ver...? É o mesmo que quando falámos sobre o Zen. Eles focam-se essencialmente
na calma ou apaziguamento da mente não alcançando a meditação interior.
Eu: Estou a ver.
Agora e sobre o que é
meditação:
Sahabrahmajarika: há cinco
obstruções a saber:
1.
o
desejo sensual e sexual;
2.
o
desejo doentio ou aversão;
3.
a
lentidão, preguiça ou torpor;
4.
Distracção
e remorso;
5.
Dúvida
ou incerteza.
Sahabrahmajarika: Estes
cinco nem se deveriam abeirar da nossa mente, porque eles paralisam o nosso
desenvolvimento mental não podendo desta forma alcançar o Jhan, nenhum dos
cinco factores mentais do Jhan.
Sobre Jhan ou
Jhana http://www.palikanon.com/english/wtb/g_m/jhaana.htm
Sahabrahmajarika: Esses são
os caminhos para a morte enquanto que o Nirvana significa libertação.
De novo e pela minha pobre preparação, volto a
interromper o meu venerável amigo com esta errada atitude de estar sempre
concentrado mais nas minhas perguntas do que nos ensinamentos. Por acaso ele
não reage mal tal como o texto acaba por ficar mais completo segundo a ordem
que pretendo, mas não está certo. Exponho este meu reconhecimento aqui também
porque o facto da minha liberdade de expor assim mo permite e por este meio
torna-se mais fácil ultrapassar os aspectos negativos, isto é: a facilidade em
falar acerca de nós e das nossas inconsequências liberta-nos para uma mais
rápida ponderação e ajuizando estes aspectos dá-se a absorção de uma correcta
atitude.
Eu: quando nos predispomos
à prática da concentração para nos induzir em meditação iniciamos pela
respiração sem esforço, isto é, concentramo-nos na respiração normal tal como
ela se está a efectuar automaticamente. Depois de algum tempo passamos a usar
um mantra que pronunciamos mentalmente, em média ou alta voz ou mesmo
cantando-o e este processo é muito bom para ausentar os outros pensamentos tal
como os sentimentos da nossa mente. Damos depois início à prática da
visualização.
Sahabrahmajarika: Sim,
correcto… mas isso é apenas a técnica.
Me: Deveremos usar o
Vipassana…?
Sahabrahmajarika: Agora
sim! Agora estás a usar o termo correcto.
Eu: Mas a meditação
interior deve necessitar mais do que isto…
Sahabrahmajarika: A
concentração na inalação tal como na exalação é um método para a meditação
interior, incluindo outros como: caminhando, sentado, deitado ou mesmo
dormindo. Ora estes são métodos físicos como muitos outros processos menores
como com os olhos abertos ou com os olhos fechados ou concentrado no abrir e
fechar dos mesmos. Nós devemos observar cada um com Sati, isto é, com
profundidade mental e clara compreensão.
Eu: A concentração no andar
eu pratico muito mas o que eu mais aprecio desde pequenino é entrar num bosque,
sentar-me e concentrar-me numa planta, numa flor ou numa pedra e visualizar-me
como sendo ela ou uno com ela.
Sahabrahmajarika: O grande
objectivo da meditação é o de reconhecer que a mente nasce, existe e decai.
Eu: Sim, como o Sol e a
Lua…
Sahabrahmajarika: Portanto,
é muito importante entendermos o facto de dependermos e trabalhar arduamente na
meditação interior como sendo a única via. É grande a minha felicidade em
responder-te acerca de tudo o que me perguntas e, acima de tudo, sobre isto.
Nota que Buda disse que apenas pelo Vipassana podemos remover as obstruções
mentais, tal como também apelou para não praticarmos o mal mas e apenas o bem e
é por meio disto que purificamos a mente.
Sahabrahmajarika: Por
natureza própria a nossa mente é impura porque está sujeita a todo um conjunto
de material disperso fruto da falta de treino. Desta forma, há que concluir que
a Meditação Tranquila não é uma forma directa para a remoção das obstruções
mentais e, deste modo, não possuiremos a clareza mental que nos ajudará a
alcançar a concentração correcta e, por isto, o melhor é prosseguir com a
Meditação Interior.
Sahabrahmajarika: A melhor
maneira para isto é o que aprendemos sobre a teoria ou Sutra mas o que
profundamente supera nesta aprendizagem é estudar tudo sobre o Abhidhamma
primeiro; é isto que irá ajudar os praticantes no seu início a estabelecerem a
via meditativa correcta e, especialmente, a Meditação Interior. Digamos que
como um mapa, isto aponta a correcta direcção… Aprendendo, deveremos praticar
isto em grupo, associados com uma pessoa instruída nesta matéria.
Eu: É tudo bastante óbvio e
nós vamos cumprir. Tu tens sido e és o nosso professor e a grande ajuda,
contigo é fácil compreender e organizar tudo para os estudos e as práticas.
Sahabrahmajarika: O Sutra
afirma « primeiro uma pessoa deve-se associar com um profundo conhecedor da
matéria; o segundo aspecto é saber ouvir e aprender e por último há que
permitir que a convicção nasça ou surja na mente pela profunda atenção, pela
clara compreensão, na correcta acção e execução que é o que se seguirá e removerá
a ignorância ou Avija em Pali. »
Eu: Bom, essa eu não sabia…
Sahabrahmajarika: Não há
problema, temos que caminhar passo a passo meu querido amigo. Esta é a única
forma de lidar com a dúvida conforme afirma o Sutra.
Eu: Observo agora que aí já
são três da madrugada. Tens que ir dormir e descansar meu venerável amigo.
(Falar com Dhammachotika e
de Portugal para a Tailândia obriga-me a não só controlar as horas mundialmente
tal como a lembrá-lo que tem de dormir. Qualquer pessoa poderá obstar que essa é
a missão do mestre mas tal é injusto porque a sua preocupação comigo, com a
minha esposa e a minha filha, a passou a assumir como uma responsabilidade sua.
Se eu fosse um simples aprendiz talvez tudo fosse diferente, mas tão cheio de
ideias confusas sobre o Budismo tornou-se para ele uma responsabilidade tanto o
organizar os meus estudos como o eliminar as muitas ideias erróneas que por
aqui possuíamos. Nisto o tempo voa e alguém tem que estar terra a terra para
controlar as horas.)
Sahabrahmajarika: Por
ultimo, hoje só te peço que leias o comentário sobre o Kalamsutra que te
enviei. Amanhã voltaremos a falar.
Falei sobre Investiduras, dei todas as hipóteses e
mais algumas para uma ideia de conversão mas Dhammachotika alheou-se de todas e
ao chegar ao cúmulo de lhe dizer que gostaria de saber como é que uma pessoa se
poderia tornar um Budista Theravada ele apenas me respondeu « bom, tu já o
és. » Porque a importância não está em ser Theravada mas e isso sim, um
Budista.
Finalmente e sobre o Kalamma Sutta
– uma análise de Bhikkhu Bodhi - remeto-vos para a nossa página em Inglês, uma
vez que esta parte já vai longa http://fozibertheravadaeng.no.sapo.pt ao mesmo
tempo esperamos reacções, comentários e críticas da vossa parte e será esse o
aspecto que enriquecerá a continuidade deste tema.
Orientação e Supervisão: Venerable Dhammachotika
Escritor Responsável por Direitos de Autor: Yochanan Hayash
D’Affonseca
Revisão, Maquetagem e
Concepção da Página: Ana Kyara Colaço
Imagem de fundo concebida a partir de fotografia tirada
pelo Venerável Suwath.
[1] O termo
venerável denota as responsabilidades tal como exibe o professor tornando-se
assim, venerável, um sinónimo daquele. Claro que no oriente os mestres são muito
respeitados e a dedicação que se lhes dedica – o mesmo acontece aos professores
laicos do ocidente quando se dirigem àquelas regiões do mundo para ensinar -,
atinge o ponto da oração e da ritualística e da meditação por eles
transparecendo uma divinização porque todos somos divinos.
[2] Quase
sempre no sentido de punição pela lei de causa efeito. Porque é do Dhamma a
definitiva Rectidão e acção afim, obviamente que é no Kharma que essa punição
se executa por o Kharma quando acção não correcta se antagonizar com o Dhamma
tornando-se Adhamma.
[3] Nesta
matéria todos os sacrifícios são ritualísticos – aliás, não há sacrifício que o
não seja. Por favor, deduzam esta afirmação por vós próprios.
[4] No mundo a
que me reporto religiosidade ou espiritualidade é o mesmo não se coadunando
nunca com a destrinça ocidental. Religião é uma tradução a que poderei chamar
um mal desnecessário.
[5] Como
acontece entre os aborígenes ou nativos do ocidente e a modernidade tecnológica
que profundamente modificou a terminologia porém, já antes o cristianismo tinha
executado a palavra viciando o sentido do termo.
[6] Duvido imenso da validade desta minha
tradução… O vencedor Dominante… Parece-me mais um conceito Japonês. Ficarei à
espera das vossas tão necessárias respostas e elucidações e desta forma, o que
tiver que alterar, altero.